Buscar

Ritualidade no trabalho do asé como forma de conexão com o sagrado

Atualizado: 3 de out. de 2018


Quem já foi a uma festa de Orisá, sabe que um dos momentos mais esperado é a comida que é ofertada aos participantes, comer é algo importantíssimo nos rituais religiosos dos mais variados seguimentos.

Na culinária dos Orisás, vários quitutes são votivos, ou seja devotados aos Orisás, mas o que muitas pessoas não sabem, é que a magia alimentar não está no prato pronto, mais com o preparo. Muitas das comidas, obedecem a padrões rituais sérios, há maneiras especificas de se preparar os alimentos, e o silêncio e as preces feitas durante o preparo é que constitui de fato o verdadeiro tempero da comida de Orisá.

Para cozinhar estes alimentos, é preciso estar com o corpo e a mente limpa, então o devoto de orixá que vai para o templo para preparar este trabalho, ele deve se isentar de contatos externos, resguardo sexual, banhos de ervas sagradas (toda erva é sagrada no culto), vestir-se adequadamente, para então após cumprimentar todos os espaços sagrados, iniciar o trabalho sagrado.

Toda esta pratica disciplinar e ritual, melhora a vida do indivíduo, não só porque o sujeito esta purificado pelo trabalho que teve, mas por disponibilizar o que o ele tem e é, para a pratica devocional dos Orisás.

A finalidade do culto aos Orisás bem como a todas as divindades ancestrais é a melhora do que somos, sendo assim, o mote principal da religião, não são as manifestações místicas, ou os famosos feitiços, que folcloricamente são empregados por ai, mas atingir um estado de impassibilidade da alma, por meio de um trabalho disciplinado e uma postura firme acalmando o espirito e garantindo a constante gratidão espiritual, afim de louvando os antigos, os antigos nos louvem e nos deem alegria, pois outro elemento fundamental de nosso culto é a alegria, a festividade, até mesmo na hora da morte.

Sendo assim, para nós devotos do Orisá, o fazer ritualmente e disciplinarmente é a espinha dorsal de nosso culto, e fazer para melhorarmos humanamente, espiritualmente e materialmente, porque quem entra no culto dos ancestrais, aprende a trabalhar com a mão, com o coração e com a razão.

Motumba!



64 visualizações1 comentário

Posts recentes

Ver tudo