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Ori, eu, minha vida e o meu destino: porque tudo que eu faço da errado?

Baba Ifadaré Henrique Silva*

Na condição de sacerdote, atendendo diversas pessoas, e mesmo enquanto professor que atua na educação básica e ensino superior, é muito frequente na boca das pessoas a seguinte fala : “nada do que eu faço da certo”, ou mesmo, “todo mundo tem sorte menos eu”. Na filosofia Ioruba acreditamos numa divindade essencial chamada Ori. Essencial não apenas por ser necessária para nossa existência, mas no sentido de possuir o conceito e as razões de nossa existência.

Acontece que no modo cartesiano que vivemos, fomos ensinados que se você fizer tudo certo, tudo da certo, e analisando a história observamos que não é bem assim. Infelizmente há diversos fatores externos como questões culturais que envolvem gênero, etnia, opções religiosas, questões raciais que podem impedir o desenvolvimento de qualquer pessoa. O fato é que, na nossa sociedade se elege quem pode vencer ou não.

Trazendo a luz da filosofia dos nossos orixás, todos estes problemas, de ordem social tem origem no mundo invisível e tem relação com egbe orun (família espiritual) e Ori (divindade primordial que nós somos), sendo assim, os desequilíbrios fazem com que nosso ori orun( a nossa essência do céu que habita o nosso inconsciente) se desencontre do nosso ori odé (a nossa essência que habita a nossa cabeça física e esta mais para a nossa consciência, digamos assim). O desencontro de nosso Ori, faz com que por mais que façamos coisas ditas certas, inclusive rituais religiosos, não deem certo, porque há um desencontro de nós em nosso Ori. Por isto é de fundamental importância sabermos sobre nós, sobre nossa história e as razoes pelas quais estamos neste mundo.

O Ori nos manda mensagem, ele fala conosco através dos sonhos, porém não estamos acostumados a escrever nossos sonhos e menos ainda, partilha-los com os mais velhos e ouvir deles uma palavra. Na cultura ioruba somos seres naturalmente coletivos. Ninguém se faz sozinho, e os passos que damos na vida é sempre aconselhados pelo conselho dos anciões ou pela sabedoria de Ifa e Exu.

No principio Iorubá, nós quando vamos nascer, escolhemos o nosso destino, os pais costumam consultar o babalawo para saber inclusive o nome que deve ser dado para a criança que vai nascer para que o significado do seu nome, coincida com a sua missão.

Estes costumes culturais se perderam com o tempo, e o fator determinante para dar nome a uma criança é o artista, filme ou novela que esta em voga, e com isto, vão dando nomes sem sentido para as crianças e que no caminhar da vida, estes nomes perdem o sentido e vão ficando marcas psíquicas nas pessoas.

Ori sem sombra de duvida é um conceito muito amplo, mas que pouco a pouco precisamos começar a investigar, e esta investigação começa por uma conversa sincera conosco mesmo afim de que por meio deste dialogo franco, tenhamos mais coragem de nos abrir e procurar ajuda leal e sincera de que precisamos.

Consultar o oráculo ajuda muito a pessoas que estão em busca de se harmonizar e viver bem sobre esta terra.

*Filósofo, teólogo e pedagogo, é gestor do Instituto Sartre, sacerdote do culto de Ifá e Orixá, escritor, cantor e compositor;

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