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O doce caminho do encontro

A oralidade nas tradições de matriz africana


Muito fala-se sobre as religiões de matriz africana, e uma das principais afirmativas é que são religiões de tradição oral, no entanto, fica um entendimento muito superficial, dando margem para más interpretações, inserções de elementos não pertinente e ainda abre precedente para certas dominações ideológicas, inferiorizando por vezes pessoas e situações.

No contexto de continente africano, cujo povo é muito simbólico, estes símbolos, são guardiões de um vasto conhecimento; estes símbolos compõe uma sabedoria de vida, que ajudou a preservar da destruição total por força da colonização, a cultura social e religiosa destas populações.

A oralidade na verdade é um doce dialogo entre o mestre e o discípulo, o pai e o filho, o mais velho e o mais novo para aprender sobre sua história e sua forma de compreender a vida e com isto, vivenciar a filosofia religiosa. Em algumas comunidades em países da África, é comum o discípulo ir morar com o mestre, caso não haja um sábio na sua própria família.

Esta pratica do diálogo, é comum em muitas culturas. No monaquismo pagão e posteriormente cristão, os monges mais novos no deserto do egito, procuravam sempre um monge mais velho, um ancião para ouvir dele uma “sentença”, ou seja, ouvir uma palavra que será o norte espiritual do sujeito.

Nas religiões de matriz africana, as pessoas buscam consultar o oráculo, para ouvir das divindades um símbolo que seja o norteador de sua vida e o ajude a viver melhor, também assim ocorre, quando a pessoa passa por iniciação religiosa, durante o processo iniciático, o neófito recebe seu símbolo o qual lhe será norteador da vida, e aquilo que ele não compreende, ele procura o seu mestre, pois é no diálogo, no colóquio que se dará o verdadeiro conhecimento espiritual que terá reflexo para a vida.

Sendo assim, esta oralidade nas tradições africanas, não é apenas uma lição mecânica e fria. É um encontro ritual de duas almas, onde o que ensina algo, partilha de seu conhecimento e melhora o próprio caráter por ajudar o que busca conhecimento a elevar-se espiritualmente com tal sabedoria. Então temos que frisar sempre que a oralidade não é porque somos uma cultura agrafa, mais porque existe algo de espiritual, e forte, e também porque é a maneira que temos de reforçar laços, e construir fenomenologicamente as sentenças ou provérbios sagrados que formam nossa vida.

Então, se você é de tradição de matriz africana, ou de qualquer outra tradição, cultive o diálogo, há algo de muito sagrado nisto!

Babá Henrique

www.euhenrique.com.br

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