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O caminho da busca espiritual ancestral e a unidade



A busca

Na cultura Iorubá, há uma divindade primordial que é o Ori, que fica exatamente na nossa cabeça. O Ori é o que compõe nossa identidade civil, religiosa e também fator determinante de nossa missão na terra.

É nosso dever, enquanto seres que acreditamos no caminho espiritual procurar alinhar o nosso Ori com o nosso corpo e nossa caminhada na terra. E para tal empreitada, precisamos desvendar algumas questões ancestrais.

Desvendar as questões ancestrais para vivermos bem, exige de nós uma escuta atenta, um estado de meditação alerta em busca de uma palavra que faça sentido e nos alinhe dentro de nosso corpo, dando unidade a nosso ser espiritual, material e divino que moram em nós.

Sendo assim, quem tem fé e é devoto dos orixás e demais divindades inclusive de outras culturas, deve ter como mote a busca da unidade interior, e esta unidade passa por um itinerário firme, disciplinado e comprometido que é da busca.

A busca, consiste em uma história que precisa ser encontrada e este encontro ele tem início no desencontro.

O desencontro

O nosso jeito de ser hoje, tem fortes influencias de René Descart, o autor criou o plano cartesiano, com pontos exatos, dai a ideia de cartesianismo, as ciências exatas, nossa vida é hipoteticamente falando, muito elaborada, pensada, coordenada, programada, e não há espaço para o acaso, que também compõe a nossa história. Os humanos com sua vontade de ser e poder sem conseguir manter o que deseja, acaba por destruir a grande casa comum a todos chamado Aye, ou terra.

Nossos primeiros desencontros começam, quando o que planejamos não funciona, ou não responde adequadamente ao que desejamos. Sendo assim, saímos em busca de verdades que nos preencham na religião por meio do exercício de uma fé, no consumo, nas relações afetivas e quiçá na ideia de uma família feliz e sem problemas. Porém, mais uma vez nos decepcionamos.

Outra forma de frustração, e que ocorre muito, é quando desenvolvemos comportamentos e tendências diferente do grupo ao qual pertencemos, e tantas são as vezes que vemos os diferentes serem rechaçados e mortos, que começamos uma verdadeira chacina a nossa identidade mais intima, criando comportamentos falsos e condutas dúbias afim de manter uma aparência desejada, até que enfim , nosso corpo não suporta mais o açoite ontológico e a mente sede a tentação do suicídio e assim , assistimos uma serie de pessoas cometerem este ato contra si próprio.

Mais apesar de todas as desventuras acima descrita, este ainda não é o desencontro o qual quero me referir, na verdade o desencontro que provocará o verdadeiro encontro, é quando assumimos que nossas ferramentas não nos servem, pois elas foram criadas para satisfazer coisas efêmeras.

O verdadeiro encontro surge, quando eu saiu de mim em busca de mim mesmo, e ai a busca da história pessoal, familiar e a reconciliação com ela, nos faz em fim sentir que estamos no caminho certo, mesmo que o caminho não seja confortável.

Ser um comigo e meus ancestrais e antepassados

Todas as culturas antigas e modernas, sempre tiveram pessoas que por meio da ascese, da fuga dos valores do mundo, foram chamadas de monges.

O termo monge vem de mono que significa um. Ou seja o sujeito que renunciando as vantagens matérias, faz de sua espiritualidade o alicerce de sua vida. Assim também é para os devotos de Orixá. O sentido real de busca de nossa história, reconciliação com ela, seja ela qual for, e encontro conosco mesmo por meio de uma palavra sagrada, ou ritualidade espiritual comportamental, nos coloca como pessoas que se auto-curam e fazem de sua ancestralidade a base de sua vida.

O culto aos antepassados e ancestrais divinizados, consiste nisto, dar unidade as tantas vozes que soam em nossa mente e que não sabemos de onde vem. Ouvindo esta palavra forte que na nossa tradição vem de nossos espíritos protetores por meio do oraculo ou outro meio, conseguimos dar unidade a esta história e unir esta história e nosso corpo, e consequentemente nos reconhecermos em meio ao turbilhão de conceitos a nós inferidos, saber nossa missão e andar tranquilo na terra. E com isto, tudo o que nós fizermos com dignidade e bom caráter, será digno, prospero e abençoado.

Babá Henrique


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