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Espiritualidade, Orisás e ancestralidade em tempos de COVID-19


As culturas orientais, sempre nos dizem que a doença do corpo físico é o reflexo de uma doença no corpo espiritual, ou seja, há um desequilíbrio entre o espírito e o corpo. No odu ogundawonrin há um itan(história mítica) que diz que é necessário quebrar o grilhão da morte, mas só será possível quebrar este grilhão quando a mansidão for um estado de espírito permanente. E é sobre este verso do Odu que quero fixar nosso olhar:

O mundo rejeita a força

Mansidão é o caráter aceito

Mensagem de Ifa para Aragbandu quando ele foi quebrar o grilhão da morte. Ele foi aconselhado a oferecer ebó. Cumprido:

Eu quebrei o grilhão da morte, e a aflição e todo o mal Aragbandu.

Neste verso, enxergo ai algumas possibilidades de reflexão. Vejamos:

a. O mundo rejeita a força: há um ciclo próprio na natureza que precisamos respeitar e nos conciliar;

b. O grilhão da morte: Ikú enquanto divindade faz parte da vida, mas os seus agentes arajés, é que colaboram com a desarmonia na ordem da terra, e nós sem o caráter reto colaboramos neste processo de desarmonia;

c. O ebó: as culturas todas acreditam que o nascer desliga do criador, e o caminho de retorno que promove o religare, é o caminho do sacrifício, no caso das culturas de matriz africana, os ebós são ritualísticas que nos ajudam a voltar pra o nosso cerne, por isto não podemos relativizar o ebó, por mais simples que ele seja, e o que está em voga mais do que os ingredientes é o ritual;

d. Quebrar o grilhão da morte: hora, nenhum ser humano é imortal então qual a receita, como Aragbandu ficou bem?(reflexão individual)

Esta pequena reflexão não é para esgotar mais para provocar e estimular a comunidade há ter uma oração mais engajada com a espiritualidade, mas sem estar desligada da vida real, ninguém estará com seu corpo bem se seu espírito estiver mal e vice-versa.

E baba qual a relação disto com o COVID-19, a priore toda! Mas pra que isto fique claro, preciso explicar algumas coisas como por exemplo, dizer que para a cultura yorubá, há dois oris, um é o nosso que é a divindade que mora em mim, e outro que esta no Orun, que chamamos de ori orun, e este ori, embora haja discordância entre alguns sacerdotes, há um fato veemente, dentre os principais nomes da religião e do culto,é que sim, existe um ori no orun e existe oris mais fortes que podem reger os mais fracos, e a pergunta é, que tipo de Ori esta regendo o mundo que eu vivo a ponto de adoecer o espaço em que estou? Que força é esta que é capaz de me deprimir?

A doença do momento também chamada de covid-19, revela que não é somente um momento de superação do egoísmo e sim um momento de quebrar o grilhão da morte, fortalecendo o Ori inu/ode e orun numa comunhão total entre os membros de nossa comunidade, os membros de fé igual, de fé que se respeita, e de pessoas que se ajudam.

Esta doença só se alastrou porque ori buruku esta forte e se sobrepondo sobre nossas cabeças, nossa omissão e egoísmo esta nos diminuindo diante dos fatos reais da vida, nossos valores estão ficando para trás em detrimento de uma sociedade efêmera e vazia.

As religiões de base moralista fracassaram diante do momento atual. Ifá e os orixás podem nos orientar, pois nosso culto orienta nossa mente e nossos passos para a vida boa e correta, não para o enquadramento moralista.

Ontem uma irmã dileta me perguntou se Omulu nos ajudaria, e eu falei que Omulu orixá que livra das doenças não nos ajudaria desta forma que imaginamos. A doença do momento não é o COVID-19. A doença do momento é o egoísmo;

Aboru aboie abosise!

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