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Aprendendo a ser devoto de Ifá e dos Orisas



*Babalawo Ifadare Henrique



Muitas pessoas recebem recomendação de cultuar os Orisas e cultuar Ifá ou cultuar ambos. Eis algumas observações importantes.


1. Familiarizar-se: Conheça a sua história pessoal e conheça a história de sua família. Nas mais variadas tradições africanas o pilar central é o culto de divindades que foram lideres familiares e lideres reais, e cultuar Orisas e cultuar Ifá é cultuar a própria história de vida.

2. Conhecer: Conheça mais sobre a cultura dos Orisas e a cultura iorubá na sua essência, há alguns livros que podem ajudar nisto. Ifá é o sistema oracular dirigido pelo Orisa Orunmila e é considerado na tradição a divindade da sabedoria. Então conhecer é de fundamental importância.

3. Procure um templo: A cultura dos Orisas não é uma filosofia apenas conceitual, é preciso vivenciar. Sendo assim, visitar, conhecer e frequentar um templo é de fundamental importância para você comparar a teoria e a pratica e perceber que a oralidade, o encontro com os demais e o serviço de um templo são formas de aprender mais. A cultura dos Orisas não é uma cultura barulhenta, embora os cultos sejam muito cheio de sons e danças. Mais pelo contrario, exige uma entrega ao silêncio e ao trabalho manual nas coisas sagradas, assim você vai aprendendo a culinária, estética e ética do culto enquanto no silencio e a na escuta dos mais velhos aprende sobre si e sobre os seus ancestrais divinizados.


4. Encontre um guia e se deixe guiar: Nas comunidades de culto de Ifá e Orisas, sempre reverenciamos a figura dos mais velhos. Algumas dessas pessoas têm missão especial para formar novos membros. Dentro da comunidade temos o babalawo (senhor do segredo) esta figura é de fundamental importância, pois ele é o responsável por interpretar a voz de Ifá para a comunidade, em geral o babalawo é o responsável do templo. Quando há mais de um babalawo numa comunidade, o responsável recebe o titulo de apase ou babalawo chefe. Há também o Ojubona(olhos do caminho) que é responsável por ensinar os novos iniciados. Há também os babaifá, que são sacerdotes de outras comunidades que podem ser orientadores de alguma comunidade a pedido de um babalawo chef. Em comunidades que não tem babalawo há a figura do babalorisa ou iyalorisa, que exercem as mesmas funções. Há também os agbas, ou mais velhos que podem orientar os mais novos dentro da comunidade.

Mas o importante de tudo isto é que você deve procurar um caminho espiritual e é importante ter um mentor neste caminho.

5. Cultuando Ifá e os Orisas na sua vida: É importante entender que cultuar é um ato de devoção e não carece ser iniciado para tal feito, o seu orientador vai te mostrar a melhor forma de você fazer com a finalidade de que este culto particular evolua a sua vida. A pessoa também precisa esta disposta a mudar seu caráter, ou seja, adequar sua vida para a filosofia iorubá que norteia a nossa vida para o bom caráter, e ser bom caráter para nossa filosofia é respeitar o outro na sua inteireza sem julgar. Respeitar a natureza fonte de nosso ase e respeitar a si próprio e sua história de vida.

6.

Iniciação para Ifa e Orisas: Fazer iniciação no culto é antes de mais nada consagrar sua vida para a divindade, e assumir um compromisso publico de fé e testemunhar com a vida a sua iniciação. É necessário que a iniciação seja feita por uma causa especifica, além claro da devoção.

7. A vida como iniciado: Uma vez que assumimos publicamente a missão com os Orisas, devemos orientar nosso comportamento para as prescrições do nosso mentor e as orientações do nosso caminho religioso sem temer o que as pessoas vão dizer, mas acreditando que o nosso caminho é o certo para nós, para isto se consulta Ifá para saber o odu de nascimento do novo iniciado.

algumas vezes, fui taxado por pessoas de outros seguimentos religiosos e mesmo do culto dos Orisas como um extremista da religião Ioruba, mais não me incomoda, prefiro mil vezes agradar Ifa e os irunmoles, do que me render facilmente aos caprichos de uma sociedade efêmera e sem valores que preservem a vida do coletivo. A cultura dos Orisas me faz entender o que me compõe e faz eu ser exatamente do jeito que sou sem culpas, medos ou repressões. Os Orisas me convidam a ser eu mesmo e desenvolver o melhor de mim que é um fenômeno vivo do ase.

  • Filósofo, teólogo e pedagogo, é gestor do Instituto Sartre, sacerdote do culto de Ifá e Orixá, escritor, cantor e compositor

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