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Antepassado, conceito e cultura ancestral

Atualizado: 4 de jul. de 2018

África também tem história!


Manifestação cultural/religiosa no continente Africano.

“Somente nos tornamos verdadeiramente quem somos ao lançar nossos olhares sobre os ombros daqueles que chegaram antes de nós. Lembrar daqueles que vieram antes de nós é uma obrigação sagrada”.

Em síntese, a ancestralidade é um dos aspectos e o pilar central da tradição filosófica e religiosa da cultura Yorùbá.

Para Fábio Leite (2008, p. 369), é preciso evidenciar que existem “duas massas ancestrais de naturezas diversas: uma é de essência mítica (preexistente e divindades) a outra é de essência histórica (seres humanos tornados ancestrais)”.

Na categoria de “essência mítica e ancestral preexistente” se encontra Olódùmarè, como descreve Leite (2008, p. 127, 369):

O preexistente Ioruba, Olódùmarè, é o senhor do Orun, espaço primordial cuja existência se configura concomitantemente com o espaço concreto dado pela Terra e seus seres, Aye. Segundo parece, o preexistente seria um princípio universal doador da vitalidade que anima tudo o que existe, o portador por excelência do sopro vital, massa infinita de ar a qual começando a respirar e, em se movendo, deu início aos primeiros processos engendradores da vida. [...]. Quanto ao preexistente, é ele o detentor por excelência da energia primordial que engendrou os processos inaugurais de criação. Está relacionado com a criação do mundo e do homem, participação essa que ocorre através de sua própria ação, [...], com o concurso de divindades específicas. [...]

Na condição de “ancestres míticos”, são arqui-divindades Obàtálá/Yemòwó,

casal heterogâmico, Òrúnmìlà-Ifá e Esu. Os ancestrais míticos aqui descritos foram designados por Olódùmarè para dar continuidade à sua obra, tendo cada qual missão específica, porque, na visão Yorùbá, Olódùmarè se encontra em dimensão inatingível para um ser humano. Em face da descrição apresentada, o ancestral mítico e preexistente Olódùmarè tem como seus colaboradores diretos os “ancestrais míticos”, as arqui-divindades Obàtálá/Yemòwó, Òrúnmìlà-Ifá e Esu.

O fato de a história mundial não ter considerado a existência do negro e a sua cultura não implica dizer que essa não existiu (e continua existindo) e é notório que o mundo se compõe de uma grande parcela de negros ou de povos de origem negra em todos os espaços sociais do planeta. Desta forma, conhecer um pouco mais do nascimento, do berço, da estrutura religiosa e filosófica da cultura Yorubá, com seu processo iniciático, é a primeira porta de entrada para conhecer, compreender e entender a filosofia de Òrúnmìlá-Ifá.

Para os Yorùba, a religião é uma vivência, uma experiência de vida e de mundo, na filosofia estão imbricados o logos racional e a abertura espiritual, e, como resultado, a convivência ético-comunitária do indivíduo consigo mesmo, com o outro e outros e a natureza.

Sebastião Fernando.

(Disponivel in < http://tede2.pucgoias.edu.br:8080/bitstream/tede/897/1/SEBASTIAO%20FERNANDO%20DA%20SILVA.pdf> acesso em 04/07/18 )

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