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ANCESTRALIDADE

*Henrique Ifádaré


Nos últimos anos, está muito comum pessoas falarem sobre ancestralidade, sobretudo as que estão em busca de um pertencimento social que o contemple e o faça crescer. Mas o que é ancestralidade?

Para falar sobre ancestralidade, precisamos antes falar de hereditariedade e fenomenologia. Aquilo que nos compõe, não somente elementos culturais ou sociais - sim somos resultado de um processo cultural não isento isto -, mas para além disto, nosso corpo trás marcas genéticas naturais e transmutadas pelo tipo de vida que nossos antecessores viveram, e estas marcas passam para o nosso corpo geneticamente, e é esta passagem genética que entendemos como fenômeno físico, filosófico, espiritual, mítico e desemboca no espectro cultural social e denota o nosso comportamento.

Nosso corpo, é um fenômeno ancestral que muitas vezes não compreendemos, e nos sentimos como pessoas estranhas na coletividade, quando na verdade esta estranheza ou diferença é um aspecto da ancestralidade.

As doenças que atingem em cheio e os males sociais que cerceiam o povo negro é a prova viva de uma ancestralidade forjada sobre açoites. Basta olharmos para a condição biopsicossocial como os casos de suicídio, depressão, esquizofrenia, doenças cardíacas, problemas motores e deficiências físicas que são características do nosso povo. Sem falar as questões de perseverança e prosperidade financeira.

A ancestralidade é algo muito grande que precisa ser levada a sério e vivenciada no dia-a-dia. Somente respeitando os corpos que nos precederam é que respeitaremos o que somos e deixaremos um legado rico para a nossa descendência.

  • Henrique Silva – Babalawo e sacerdote do culto de Orixá de tradição nagô/ioruba é professor especialista em filosofia e história afro-brasileira, compositor e músico

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