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Analise do Racismo pela via religiosa no Brasil.

Atualizado: 4 de jul. de 2018

Um olhar mais critico sobre as bases conceituais do mundo ocidental.



O problema do racismo no Brasil, bem como na America Latina, encontra-se intimamente ligada e fundamentada por uma antropologia dualista que fundamentou uma teologia de dominação do nativo e posteriormente do negro. Segundo o teólogo José Comblin, a compreensão dualista do corpo como não sendo totalmente o homem, permitiu que com muita facilidade o colonizador europeu imputasse ao colonizado todo o castigo corporal, assedio sexual e estupro, genocídio e todo o infortúnio que se pode infligir ao indefeso. Primeiramente dá-se a entender que a justificativa para a imposição da força era a arma de fogo, posteriormente a pratica de violência foi ganhando pressupostos teóricos. O maior exemplo disto é o evento ocorrido em Valladolid, onde o religiosos dominicanos, Sepulvedad e Bartolomeu de lãs Casas discutiram se os índios tinham ou não alma. Na Bula Inter Coetera de maio de 1493 o Papa Alexandre divide as terras do novo mundo entre Portugal e Espanha, e para tal feito ele incentiva a redução das tribos indígenas e a aplicação dos piores açoites aos negros que resistiram.

A diabolização da cultura e da religiosidade das nações africanas no Brasil é a ferramenta principal de legitimação do processo escravocrata em terras ameríndias. Segundo Dussel é a negação do fenômeno cultural e religioso do outro, e com a associação da identidade do negro ao diabo, foi possível ao longo tempo afastar os afrodescendentes de sua ancestralidade.

A diabolização da cultura e da religiosidade das nações africanas no Brasil é a ferramenta principal de legitimação do processo escravocrata em terras ameríndias. Segundo Dussel é a negação do fenômeno cultural e religioso do outro, e com a associação da identidade do negro ao diabo, foi possível ao longo tempo afastar os afrodescendentes de sua ancestralidade.

O Brasil hoje é livre dos grilhões da escravidão, mas há ainda três coisas cristalizadas e imutáveis. A primeira é a elite colonial que independente do partido político que esteja na situação, esta enraizada no poder; a segunda é que o Brasil ainda é cristão no sentido de uma mentalidade medieval tridentina. Como o racismo sumirá, se a instituição que fomentou e teorizou a diabolização dos elementos característicos da uma cultura, não se reinventou e re-interpretou a luz de um dialogo macro-cultural?; a terceira e a que tem papel mais contundente para o momento presente é a escola, que ainda é um instrumento ideológico do estado. A educação no Brasil surgiu como catequese, e a catequese esteticamente e conceitualmente distinta da primeira catequese da igreja, ainda do tempo das catacumbas. A catequese no Brasil, era para ensinar qual o Deus mais forte, e porque eles deveriam de bom grado aceitar o julgo dos senhores. Isto para as comunidade indígenas. Para os negros, nem catequese existia. Foi elaborado um critério para ser homem, e a comunidade africana não estava dentro deste critério. Primeiro por causa da cor da pele, segundo por que tinha traços característicos muito fortes no sentido cultural. Ora, a escola ainda é um agente religioso, os professores, não são profissionais na arte de facilitar conteúdos, mas ainda são educadores. A prova disto esta na relação que o professor na escola pública, tem com o aluno mais escuro, conseqüentemente mais sujo, mas excluído das rodas e mais próximo da marginalidade, talvez não porque ele queira estar próximo da marginalidade, mas porque ele foi empurrado a alguns séculos atrás para ela.

Por estas razões postas acima, é que não se pode dizer que o Brasil é livre de racismo, e com muita freqüência estudantes que tem aulas com o autor deste, se recusam a entender a problemática do racismo. O mito da democracia racial é algo sagrado, as pessoas professam fé em instituições cristãs diversas que defendem a vida, a moral e os bons costumes. Eles lutam contra o diabo, e o diabo é preto, é o pai dos elementos culturais da África negra. Mas como não é bom relembrar esta história, então a elite colonial com as instituições religiosas, optaram por negar a realidade e entender que a miscigenação é algo de aceitação, e o genocídio é algo relacionado a criminalidade de um individuo que consequentemente é preto, não de um individuo que históricamente só conheceu uma via na vida, a via da exclusão.

Compreendo que o racismo é um crime perfeito, como diz Munanga, por que a categoria dita pensante da nossa sociedade que são os pesquisadores acadêmicos, ainda são os maiores racistas. Os professores da educação básica recusam-se a trabalhar as questões afrodescendente não porque não tem material, mas por que não tem coragem de desafiar o Deus do branco que ele julga seu, e que aderiu e batizou-se a base do chicote.

O desafio de superação do racismo, passa por uma emancipação do pensamento a partir da Europa, e mesmo das Américas. É preciso pensar o racismo a partir do nosso local histórico, geográfico e cultural. O racismo não findará, enquanto os referencias e conotações com o mal ainda estiver associado a cultura e religiosidade negra.

Baba Henrique Silva

http://lattes.cnpq.br/2813424774141873

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